No contexto do PRODIST, especialmente o Módulo 7, a correta apuração das perdas técnicas depende diretamente da qualidade da BDGD, da conectividade da rede e do adequado sequenciamento elétrico.
A Etapa 17 de validações da BDGD trata especificamente das Perdas Técnicas, contudo, antes do cálculo, é necessário aferir e corrigir a conectividade da rede e do adequar coerentemente o sequenciamento elétrico.
Nesse cenário o GEON atua estruturando, validando e corrigindo a BDGD de forma automatizada, garantindo consistência de conectividade e preparando a base para execução confiável dos algoritmos regulatórios.
O desafio da conectividade da rede
Garantir a conectividade elétrica da BDGD está longe de ser uma tarefa trivial. Na prática, a base chega com inconsistências estruturais: trechos desconectados, ligações incorretas, malhas indevidas e ausência de coerência no faseamento.
Essas inconsistências não são pontuais, elas se propagam ao longo da rede, dificultando análises, inviabilizando algoritmos e exigindo alto esforço manual para correção.
Esses problemas inviabilizam o sequenciamento elétrico e comprometem diretamente a execução da Etapa 17, já que os algoritmos de perdas técnicas dependem de uma rede contínua e corretamente estruturada.
No GEON, esse desafio é tratado a partir de três pilares fundamentais:
- Sequenciamento elétrico: organiza a rede a partir da origem (subestação), garantindo que todos os elementos estejam corretamente encadeados do ponto de vista elétrico. Esse processo depende de uma leitura estruturada da rede, semelhante a uma travessia em grafo, onde a ordem e a hierarquia das conexões são essenciais
- Tratamento de malhas: redes de distribuição devem operar, em sua maioria, de forma radial. A presença de malhas (loops) na BDGD indica inconsistências que precisam ser identificadas e tratadas, evitando ambiguidades no fluxo elétrico
- Faseamento: a correta atribuição das fases ao longo da rede é essencial para o cálculo de perdas. Inconsistências de fase são comuns e exigem abordagens robustas para propagação e correção ao longo do circuito
A Norven trata esse problema modelando a BDGD como um grafo e aplicando algoritmos como top-down e bottom-up, que permitem percorrer e corrigir a rede de forma estruturada e eficiente.
O top-down parte da subestação e propaga a lógica elétrica ao longo da rede. Já o bottom-up consolida informações a partir dos elementos finais.
Da conectividade à Etapa 17: entrada, processamento e saída
A correção da conectividade não é um fim em si, ela é a base para viabilizar a execução da Etapa 17.
No fluxo operacional do GEON, isso acontece de forma estruturada:
- Entrada: BDGD importada, com possíveis inconsistências de conectividade, malha e faseamento
- Processamento: aplicação dos algoritmos de sequenciamento elétrico, correção de malhas e propagação de faseamento
- Saída: rede eletricamente coerente, sequenciada e pronta para cálculo regulatório
Essa saída passa a ser o input direto para os algoritmos de perdas técnicas.
Cálculo de perdas técnicas integrado ao GEON
Uma vez estruturada, a BDGD segue automaticamente para o cálculo de perdas técnicas dentro do próprio GEON.
O processo contempla:
- Carregamento da BDGD ajustada e validada
- Execução da Etapa 17 conforme metodologia ANEEL
- Cálculo das Perdas Técnicas conforme metodologia da ANEEL, com o OpenDss como o motor de cálculo
- Geração dos resultados de perdas técnicas por nível e segmento da rede
Diferente de abordagens tradicionais, o GEON não depende de ferramentas externas isoladas. Todo o processamento, incluindo o ProgGeoPerdas, está nativamente integrado à plataforma, garantindo:
- Consistência entre dados e cálculo
- Eliminação de retrabalho entre sistemas
- Rastreabilidade completa do processo
Além disso, funcionalidades como extrações e análises permitem explorar os resultados de perdas de forma estruturada, conectando diretamente a qualidade da BDGD aos impactos regulatórios.
Escalabilidade: processamento em ambiente cloud
Todo esse fluxo — da correção da conectividade ao cálculo de perdas — exige alto poder computacional.
Para viabilizar isso em escala, o GEON opera com arquitetura em cloud, permitindo:
- Processamento distribuído de grandes volumes de dados
- Elasticidade computacional sob demanda
- Execução eficiente mesmo em bases de alta complexidade
Na prática, isso transforma um processo historicamente lento e manual em um pipeline automatizado, escalável e com capacidade de processamento sob demanda.
Ganhos práticos: eficiência, qualidade e impacto regulatório
A integração entre correção de conectividade e cálculo de perdas técnicas traz ganhos diretos e mensuráveis para as distribuidoras.
Do ponto de vista operacional, há uma redução significativa de tempo, substituindo processos manuais e iterativos por um fluxo automatizado e rastreável. Problemas recorrentes de inconsistência — como desconexões, malhas indevidas e erros de faseamento — passam a ser tratados de forma sistemática, reduzindo retrabalho e aumentando a confiabilidade da base.
Em termos de qualidade, a melhoria da BDGD impacta diretamente indicadores como o IQ_BDGD, elevando o nível de conformidade da base frente às exigências regulatórias.
Já sob a ótica regulatória, o principal ganho está na maior precisão da apuração de perdas técnicas. Uma base consistente e corretamente sequenciada garante que os resultados da Etapa 17 reflitam de forma mais fiel o comportamento real da rede, reduzindo riscos associados a inconsistências e questionamentos.
Conclusão: da complexidade à inteligência operacional
A BDGD, quando tratada apenas como obrigação regulatória, tende a gerar esforço, retrabalho e incerteza.
A proposta do GEON é inverter essa lógica.
Ao integrar correção de conectividade, validação e cálculo de perdas técnicas em um único ambiente, a plataforma transforma um processo complexo em um fluxo contínuo, automatizado e escalável.
Mais do que atender à ANEEL, trata-se de estruturar dados com inteligência e transformar a BDGD em um ativo operacional.